|
Página Inicial l Esportes l Sociais l Polícia l Política l Geral l Humor l Poesias ! Artigos l Hotéis l Restaurantes l Comércio l Expediente l Fotos l História |
|
Letras, Línguas e Leitores Cornélia Stölting conniexbr@yahoo.com |
Até que a morte os separe
Nada mais certo do que antigos dizeres. Algumas frases, consagradas ao longo de séculos, chegam a ter o peso de uma sentença. É o caso do famoso "até que a morte os separe" para celebrar a união de um casal. A expressão abusa da força da verdade quando recai sobre a dupla que "contrai" o compromisso vitalício. Se, na melhor hipótese, o plano de viverem felizes para sempre, "na saúde ou na doença" na "riqueza ou na pobreza", se desmanchar diante da falta de plano de saúde ou de uma falência, sem que haja desavença, ótimo!! Mas não é o que costuma acontecer. Em geral, as próprias causas da separação serão aquelas que vão torná-la impossível. É sempre um perde-perde, pois vai mexer no bolso dos desenganados pombinhos. Muitas vezes, a paixão fica, mas é transferida para um novo romance que vai, por sua vez, acarretar outra pilha de gastos. Casamento é isso: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come! Nesse balanço emocional e bancário, os maiores prejudicados são os filhos que, diante da dissolução de seu mundinho, se contentam em comparar com os colegas "também-filhos-de-separados" quanto ganham de pensão. Meu pai dá dois salários... O meu dá cinco... Está feita a matemática: o pai deste gosta mais dele do que aquele. Da mesma forma, as projeções econômicas regem o contrato matrimonial. Antigamente, para "tirar" uma rapariga de casa, o bom moço tinha de comprovar renda junto ao sogrão. Parece caretice, mas tem lá seu fundo de pensão, digo, de realidade. Tanto é que muitos casamentos desfeitos geraram indenizações estratosféricas às moçoilas casadoiras que, dedicadas ao lar e à coleção de eletrodomésticos, abdicaram de carreiras tão fantásticas quanto seus supostos salários. Hoje em dia, a benesse deste "arrimo ocupacional" se estende aos homens que, findo o prazo de validade, podem requerer pensão junto à exposa, de preferência se ela estiver bem empregada. Caso contrário, a morte acaba separando os dois, sabe-se lá quando... E sabe-se lá quanto - dinheiro - depois. Há que se ter "bala na agulha". Quem casa quer casa... piscina, Brastemp, conta conjunta, carro zero, sexo, clube, pipoca e atenção. Mas isso tudo junto é difícil de prover. É quando surgem os primeiros problemas. Decidiu se separar? Não agüenta mais a "mala" ao seu lado? Relaxe, seus problemas começaram!!! Chegou o novíssimo Family Advogator. Em duas ou três audiências, ele resolve o que psicólogos, personal trainers, pais de santo e manicures já tentaram. Ligue djá!!!! Os primeiros a ligarem ganham um cafezinho grátis na consulta! E o investimento em objetivos comuns passa a administrar a derrota, se não para o ex-cônjuge, para o seu representante legal. E nada mais justo, já que fazer contas, analisar prejuízos, avaliar patrimônio, e provar coisas que nunca ninguém viu é chatérrimo, ainda mais usando terno e gravata. Eu fico com os bens, você com as dívidas. Tá bem?.,Meu bem?... Haja advogado para defender tanto bezerro querendo mamar deitado!! E dê-lhe revirar gavetas atrás de recibos, bilhetes premiados, arrumar testemunhas e tudo o mais que documente este filme mais do que manjado ("Dormido com o Inimigo"). É verdade que ninguém entra no casamento com a intenção de sair. Mas deveria, ao menos, planejar! Já ensinaram João e Maria que para achar o caminho de volta é bom ir soltando farelos pelo chão. Uma vez no "mato-sem-cachorro" não adiantar chorar. Ajoelhou, tem de rezar. Já dizia o velho ditado...